8 DE MARÇO: NENHUM DIREITO A MENOS PARA AS RROMNIA (MULHERES CIGANAS)




Há uma parcela da população de mulheres brasileiras que a maioria dos agentes públicos ainda desconhecem o seu modo de vida, a sua cultura e por consequência as suas necessidades: Rromnia, as assim chamadas ciganas.

Os dias e os anos passam, mas o preconceito, muitas vezes acompanhado fortemente pelo racismo e a discriminação, ainda é a grande barreira que impede avançar a discussão sobre o tema dos direitos humanos das Rromnia (mulheres ciganas).

A Associação Internacional Maylê Sara Kalí (AMSK) tem conseguido romper os obstáculos pautando o governo brasileiro com dados e informações sobre a realidade de vida dessas mulheres. Como resultado das ações, na área da saúde, o Departamento de Apoio à Gestão Participativa (DAGEP) da Secretaria de Gestão Estratégia e Participativa do Ministério da Saúde (SGEP/MS), em parceria com a AMSK lançou, em novembro de 2016, a cartilha Subsídios para o Cuidado à Saúde do Povo Cigano que menciona no capítulo 4 os cuidados a saúde da mulher cigana. O documento foi elaborado pela necessidade de gerar conhecimento para o conjunto dos trabalhadores de saúde – gestores de políticas públicas, agentes comunitários de saúde, médicos, enfermeiros e demais profissionais que atuam no atendimento nos serviços de saúde.

Na área de assistência social, observa-se que os serviços públicos nos estados e municípios buscam aprimorar seu atendimento as famílias romani (ciganas) de baixa renda, em situação de vulnerabilidade. Atualmente, no Cadastro Único para Programas Sociais, do Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), registra o total de 15.057 pessoas de etnia romani, sendo 31,33% mulheres na faixa etária de 18 a maior de 65 anos. E precisamos avançar nas discussões com os gestores públicos da assistência social, a fim de incluírem as Rromnia nos programas, projetos e atividades com vistas ao fortalecimento das capacidades dessas mulheres para o exercício da cidadania, a geração de renda, e a defesa dos seus direitos fundamentais.

Na área da educação o Programa Brasil Alfabetizado (PBA) promovido pelo Ministério da Educação, aplicados nas 27 Unidades da Federação, com destaque o estado da Bahia na realização do Programa Todos pela Alfabetização (TOPA) que avançou com o processo de inclusão das Rromnia, em face de os vários diálogos dos gestores públicos, da área de educação, com os líderes dos núcleos familiares romani para a sensibilização dos maridos que impediam suas esposas ingressarem no ambiente escolar para a alfabetização. Em suma, mulheres e homens romani sendo alfabetizados e rompendo o ciclo da ignorância. Ações que somam para a mudança de vida de suas futuras gerações, mas sem perder as suas tradições e costumes culturais.

Importante destacar as ações de algumas Rromnia, apesar da pouca ou nenhuma escolaridade, uma minoria pensante que vislumbram uma melhoria no modo de vida de suas filhas e filhos, netas e netos, que começaram também a romper com o ciclo da ignorância, e no seu cotidiano buscam informações junto aos servidores públicos sobre o atendimento à saúde, educação, e assistência social. Essas mulheres têm estimulado suas crianças e adolescentes a mudar o processo de viverem sempre a margem da sociedade brasileira. Para esta mudança, já se observa jovens romani ingressos no ensino superior e outras/os com formação no nível superior, e graças a essas mulheres que lutam para diminuir o preconceito sobre o seu modo de vida. 

“Parabéns para aquelas que sonham,
 aquelas que realizam, e
 aquelas que tornam os sonhos das outras uma realidade”.

AMSK/Brasil

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