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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Mais uma vitória! Colégio Objetivo excluirá texto discriminatório com relação aos ciganos de seus materiais didáticos

A história começa assim...

Em 2015, ao se deparar com um texto de conteúdo estereotipado e discriminatório em uma das apostilas do Colégio Objetivo, o cigano Daniel Rolim, integrante da AMSK/Brasil, apresentou uma denúncia ao Ministério Público Federal.

E este foi apenas o começo...

No Brasil, sofremos de uma descrença, muitos vezes justificada, com relação à atuação das instituições públicas. Mas o fato é que, apesar de todas as falhas, conflitos e resistências que encontramos em muitas delas, quem tem olhos para ver é capaz de identificar pessoas dentro destas instituições que atuam de forma série e competente, e que por meio de seu trabalho dão uma contribuição fundamental para a defesa e promoção dos direitos humanos.

A partir da denúncia apresentada por Daniel, foi aberto Inquérito Civil Público contra o Colégio Objetivo, e o Ministério Público Federal solicitou informações acerca do conteúdo discriminatório contra os povos ciganos identificado em uma das apostilas desta instituição de ensino, em um trecho da obra "Um Sertanejo na Corte", de Martins Penna. A síntese da argumentação apresentada pelo Colégio Objetivo em resposta à solicitação do Ministério Público Federal aponta que:

"Muitas obras do século XIX  podem ter conteúdo muito polêmico em relação aos valores de nosso século. Elas sempre são contextualizadas por nossos professores, que enfatizam o fato de elas terem sido escritas numa sociedade escravagista, eurocêntrica, machista e discriminatória".
(...)
"Vale destacar também que imenso número de obras universais, não só da literatura, mas de todas as artes e ciências, contêm citações depreciativas aos mais variados grupos humanos, gêneros e etnias, mas sempre, sob qualquer ângulo analisado, devem ser estudadas à luz do contexto histórico/geográfico/humanístico no qual foram produzidas e nunca analisadas de maneira estanque, somente como ponto de vista atual".

Além desta explicação, o Colégio Objetivo se comprometeu a excluir o trecho do texto de Martins Penna que apresenta conteúdos discriminatórios contra os ciganos.

A produção de material didático que de fato dê visibilidade à contribuição dos povos ciganos para a construção cultural e social de nosso país segue sendo um desafio, assim como a formação e capacitação dos e das profissionais de educação em temas como o racismo e a discriminação étnica e racial. Em tempos de redução de direitos, é urgente que o espaço da escola se torne cada vez mais um espaço de respeito à diversidade, de promoção da igualdade e de concretização dos direitos humanos. Ainda há um longo caminho a ser percorrido... Porém, como sempre ressaltamos:

 "Quando caminho é longo, não se deve andar sozinho..."

Celebremos, então, esta importante vitória alcançada neste início de 2016! E que estes ventos de transformação sejam a marca deste ano! 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

EPIGRAMA Nº 7

Epigrama nº 7

A tua raça de aventura
quis ter a terra, o céu, o mar.

Na minha, há uma delícia obscura
em não querer, em não ganhar...

A tua raça quer partir,
guerrear, sofrer, vencer, voltar.

A minha, não quer ir nem vir.
A minha raça quer passar. 


©CECíLIA MEIRELES 
In Viagem, 1939 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Latchim Sastipen (Boa Saúde)

Latchim Sastipen (Boa Saúde)

Latchim Sastipen (Boa Saúde)

O trabalho desenvolvido por ciganos e ciganas em Portugal; falando aqui da Associação Letras Nômadas, nas pessoas de sua Presidente Olga Mariano e Bruno Gonçalves – vice presidente, nos enche de alegria, esperança e renova nossas forças. Portugal está em boas mãos com sua pesquisa.
Sabemos de pronto que a saúde de nossos ciganos e ciganas no mundo todo é bastante precária e debilitada, com a exceção dos que podem pagar por um plano de saúde, dos que possuem a consciência da prevenção e serviços oferecidos e dos riscos que se corre pelos anos e anos de negação e preconceito com o Povo Cigano e sua aceitação nos programas de governo.

Em Portugal esse processo já começou a andar e seguem dois vídeos sobre o assunto.

Segue o vídeo da romed saúde.


No Brasil, seguimos avançando em pontos primordiais, como a Portaria 940 do MS e também alguns assuntos relacionados que começam a voltar suas atenções para esse recorte chamado Minoria étnica no Brasil: O Povo Romani – os assim chamados ciganos.
Por cá fazemos referência a alguns trabalhos como:
*Saúde e Cidadania dos Povos de etnia Romani no Brasil – Os assim chamados ciganos. Mimeo 2015.

* COSTA, Elisa. Redução das Desigualdades em Saúde nas Comunidades Ciganas no Brasil: subsídios para discussãoISBN: 978-85-67708-01-0; Brasília: AMSK/Brasil, 2014.
* GUIMARÃES, José Ribeiro Sousa. Perfil do Trabalho Decente no Brasil: um olhar sobre as Unidades da Federação. Brasília: OIT, 2012.
* OMS. Constituición de la Organización Mundial de Salud. Documentos Básicos, suplemento da 45ª Sessão, octubre, 2006. Disponível em:http://www.who.int/governance/eb/who_constitution_sp.pdf
* MOTA, Ático Frota Vilas-Boas. Ciganos: antologia de ensaios. Brasília: Ed. Thesauros, 2004
* AMSK/BRASIL. Relatório SASTIPEN – SAÚDE II. Brasília: mimeo, 2012.
*GOLDFARB, Maria Patrícia Lopes; LEANDRO, Suderlan Sabino; DIAS, Maria Djair. O “cuidar” entre as calins: concepções de gestação, parto e nascimento entre as ciganas residentes em Sousa-PB. Revista Brasileira de Sociologia da Emoção, v. 11, n. 33, dez. 2012, pp. 851-877.
*LEANDRO, Suderlan Sabino. Práticas do enfermeiro em uma comunidade cigana: relato de experiência. Revista Temas em Saúde, ano 6, n. 8, 2006.

Dentre outros trabalhos dos quais já citamos.Bom, o que falamos aqui, se refere a uma constatação ainda precária no Brasil, das reais condições de saúde desse povo, de como isso se relaciona com toda uma forma cultural e educacional.
De qualquer forma, temos de de nos alinhar nesse trabalho como forma de uma possível ajuda. Temos a condição quantitativa; bastante diferente dos ciganos de Portugal, os braços dessa etnia também e pra completar, temos um SUS, que na teoria é fantástico, mas na prática ainda sofre com inúmeros pontos a serem seguidos e implementados.

Um deles está diretamente relacionado a esse trabalho de Portugal, por aqui a média de vida dos ciganos é visivelmente menor, mas ainda não conseguimos quantificar isso. Outro fator é que a falta de identificação ou d coleta dessa identificação nos hospitais e atendimentos, nos impossibilita saber quantos procuram, onde procuram e porquais motivos.
Ainda nos falta dar números assertivos para uma política pública direta e pontual. Enquanto isso, a AMSK começou um trabalho com as mulheres de etnia rromani e as conclusões ainda demorem um pouco pra sair, mas esse estudo já nos revela alguns dados muito interessantes:

MULHERES DE ETNIA RROMANI
A MULHER “CIGANA” NO CONTEXTO BRASIL
Rostos e identidades (MIMEO).
(Parcial)

No Brasil ainda não existem dados específicos sobre o tema, por isso trouxemos um estudo da AMSK/Brasil em andamento desde agosto de 2013. No Brasil (em andamento em 9 estados, mais o Distrito Federal) e com seus correspondentes em Portugal – por área de pesquisa e migração.

Neste estudo, levamos em conta cerca de 20 pontos norteadores (pergunta e resposta), busca ativa, abordagem direta e indireta, denúncias, visitas in locuo, pedidos de escuta e rodas de conversa.

Para esse estudo também foram observados:
1] o direito de se identificarem de forma legítima, (sem folclore ou estereótipo)
2] de manterem o segredo de sua identificação,
3] e de se colocarem livremente como sujeitos de direito.
As áreas pesquisadas foram SAÚDE, EDUCAÇÃO e GENERALIDADES. Aqui um pequeno esboço sobre SAÚDE dessas mulheres.

Saúde
a)     Geralmente estão afastadas do sistema de saúde convencional (seja por não alcançarem o SUS, ou por não estarem dentro do sistema “preventivo de cuidados “)
b)    O câncer de mama ou de colo de útero, o câncer de pele e a depressão (com seus desdobramentos), são os itens mais assinalados. Pressão alta, doenças circulatórias, tabagismo e alcoolismo/droga, seguem a lista.
c)     Geralmente trabalham os três turnos – (acumulando as funções de esposa, da casa e do trabalho).

De 2013 á 2015, a AMSK/Brasil conseguiu com que vários Homens / chefes de comunidade, líderes de núcleos familiares; que começassem uma conversa para a não violência contra a Mulher dentro dos seus núcleos, acampamentos e casas.
Os casos de violência vem sido analisados com cautela, visto as inúmeras e falsa relatorias, analisadas por nossa equipe, que chegam de mulheres que não pertencem a etnia, mas que encontraram nesse modo de vida uma forma vantajosa de sobrevivência. Isso pode ser analisado pela total falta de conteúdo, quando comparado a entrevista com mulheres que pertencem a grandes comunidades e que independentemente de onde estão, são sempre similares ou se encontram dentro de uma mesma análise de pensamento comunitário.
Pretendemos alcançar o número de mil mulheres e com isso, ampliarmos e catalogarmos as principais queixas e necessidades dessas mulheres, a fim de construirmos políticas públicas que venham a beneficiar verdadeiramente esse recorte étnico.

Novos rumos:

Segue o link para baixar a revista 38:
na página 49 tem a matéria com o título : “Povos Ciganos: uma nação sem fronteiras”.

Caso o link não abra, vocês podem acessar pela página da revista

HOMEOPATAS DOS PÉS DESCALÇOS, um programa da AMSK/Brasil.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

SETE ANOS DE AMSK




Hoje a AMSK/Brasil completa hoje, dia 05/01/2016 sete anos; oficialmente falando.

Aos parceiros, os diretores e diretoras, aos correspondentes, aos amigos e amigas da Maylê, as Fundadoras e a todos aqueles que ao longo de nossa história conheceram nossas opções e ações.

A AMSK tem sua base de origem no Brasil e é composta por um corpo qualificado de pesquisa e estudo. É composta por 80% de ciganas (os) e descendentes e 20% de não ciganos.

É também formada por pessoas que fizeram o oposto da trajetória. Se formaram, estudaram, largaram seus empregos, única e exclusivamente pela construção de políticas públicas para a Rromá no Brasil. Nossa sedução não se alicerça em cargos. Nem em folclore e muito menos no pitoresco. 

Por tanto, em 2016 nosso lema será claro:
Combater a violência contra a mulher
Combater a violência e a inexistência de políticas públicas para nossos meninos e meninas;

Nos mantermos como rocha firmes a fim de resistirmos a calúnias, invejas, difamações e ameaças e deixar claro, mais uma vez e sempre, que temos princípio, de berço, de vida e de história.



SOMOS MULHERES

SOMOS FORTES

E TEMOS PRINCÍPIOS

A AMSK não negocia sua identidade; Muito menos concede barganhas ou negociatas com o Direito supremo e sublime de existir dignamente.

Em 2016, os trabalhos avançam na certeza de que o vento derruba cascas velhas, mas leva flores e frutos e semeia de forma corajosa e leal.

As pessoas passam, mas as instituições permanecem. Por esse motivo e como Presidente a AMSK, reafirmo o compromisso de seguirmos em frente, contra o racismo e a ignorância, a miséria e o analfabetismo.


Em 2016 ... nós da AMSK continuamos lutando de maneira a propiciar o máximo de conteúdo real e qualificado para a construção de um Brasil Romaní.

Elisa Costa
presidente da AMSK/Brasil