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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Cultura Cigana: Teatro ALÉM DA LENDA OS ASSIM CHAMADOS CIGANOS ...

Cultura Cigana: Teatro ALÉM DA LENDA OS ASSIM CHAMADOS CIGANOS ...: "A melhor forma de aniquilar a autoestima de um povo é negar-lhe sua cultura. .È preciso ensinar aos paranaenses quem são os cigan...

O PORQUE DO 8 DE ABRIL






 zingara
(Paolo Vetri)

Em 8 de Abril se comemora o International Roma Day, uma ocasião 

que pretende dar visibilidade à presença das comunidades Romani 

em todo o mundo. Nesta data, a bandeira e o hino cigano foram 

oficializados (A União Romani Internacional foi fundada, a 

bandeira cigana foi aceito e a canção "gelem, gelem", composta 

por Jarko Jovanovic foi adotada como um hino). Isso aconteceu no 

primeiro Congresso Mundial Roma/Cigano que teve lugar em Londres 

em 1971(Orpington, perto de Londres, em abril de 1971), sendo 

hoje comemorado em mais de 40 países. Ocasião essa, que visa o 

reconhecimento internacional dos Ciganos/Roma, da sua história, 

língua e cultura.

Apesar de serem a maior minoria da Europa, os ciganos foram 

muitos e durante séculos. No Brasil, enquanto não tivermos um

 número que respeite essa realidade, vamos brigar, falar 

deixar claro; é preciso nomear.








Como povo/etnia e como cultura, os romá foram e continuam a ser deturpados, mistificado, estereotipado, feito de bode expiatório e perseguidos. 


AMSK/Brasil

domingo, 16 de fevereiro de 2014

REVELADOR DAS DESIGUADADES





Os Ciganos não são mais europeus do que americanos ou índios. Os Ciganos estão na Sibéria como na China. Estão sempre no avesso do cenário.
Eles são a escória das sociedades dominantes, seja qual for a dominação. Onde estiver o Cigano há dominação. Os Ciganos são um revelador das desigualdades, das exclusões. E são mal conhecidos. Atribuem-lhes hoje, como ontem, virtudes e vícios extraordinários. Lisonjeiam-lhes a estranheza para melhor os disciplinar. A sua vulnerabilidade para melhor os explorar, a sua fragilidade para os enfraquecer ainda mais. Os jacobinos perguntam se eles têm alma e os padres se eles têm religião. Os revolucionários perguntam se eles são despóticos, as feministas, se as mulheres deles são maltratadas; os historiadores, se eles têm história, os musicólogos se eles têm música, os higienistas se eles se lavam. Poucos povos entram no comércio com tantas negações. O seu holocausto é negado tanto pelos estados nacional-populistas como por Vichy, como pela Alemanha pós-nazi. Os racistas duvidam que eles sejam uma verdadeira raça, os letrados que eles sejam capazes de escrever poesia. Os revisionistas rejubilam porque os Ciganos partilham com os judeus o privilégio do crime contra a humanidade. Mas a humanidade deles ainda não entrou no reconhecimento coletivo.


AUZIAS, Claire. Os Ciganos ou o destino selvagem dos Roms do Leste. Lisboa: Antígona, 2001, p.39-40.

CRONOLOGIA E DATAÇÃO II

1562 — O cigano João Giciano, mulher e quatorze filhos, são degredados para o Brasil. Eles chegam em Portugal vindos das Grécia.

In Elisa Maria Lopes da Costa. O povo cigano entre Portugal e terras de além-mar, (p. 36).


1574 ¾ Dom Sebastião. Despacho sobre requerimento. A pena de galés imposta ao cigano João de Torres foi comutada em desterro para o Brasil, podendo vir acompanhado de mulher e de seus filhos. 

(Arquivo Nacional, Liv. 16 de Legitim. D. Seb. e D. Henr., fl. 189.) Apud Adolfo Coelho, Os ciganos de Portugal, (p. 200).


1578 ¾ Frei Vicente Salvador, na sua História do Brasil, informa que em Pernambuco Diogo Martins escreveu uma carta a Diogo de Castro "e lha mandou por um cigano".  

Apud José Alípio Goulart. O cavalo na formação do Brasil, (p. 176).


1591 ¾ Heitor Furtado de Mendonça, visitador do Santo Ofício, na Bahia e Pernambuco, recebeu dezenas de denúncias contra ciganos como delinqüentes de crimes contra a religião e os bons costumes. 

In João Dornas Filho: Os Ciganos em Minas Gerais, em RIHG de MG, ano III, 1948; Laura M. Souza. O diabo e a Terra de Santa Cruz. (pp. 108-24); e Primeira Visitação do Santo Ofício – às partes do Brasil (Confissões da Bahia 1591-1593), série Eduardo Prado – São Paulo, 1922, pp. 57, 74, 166. Ver também "Denunciações da Bahia" 1591-1592, São Paulo 1925, pp. 259, 285, 303, 323, 385, 388 e 400.

1591 ¾ Violante Fernandes, viúva de um ferreiro cigano, também deportado de Portugal, agastada com as chuvas, dissera que "Deus mijava sobre ela que a desejava afogar". Tareja Roiz ouvira da cigana Argelina que a cigana Maria Fernandes dissera: "que pesava de Deus porque chovia tanto". 

In Primeira Visitação, Denunciações da Bahia, pp. 385-386. Tareja Roiz negava a existência do dia do juízo. Idem, p. 192. Apud Laura de Mello e Souza: O diabo e a Terra de Santa Cruz.

 AMSK/Brasil

CRONOLOGIA E DATAÇÃO I

 
 
Agosto de 1549 — Carta do padre Manuel da Nóbrega aos padres e irmãos da Cia. de Jesus, em Coimbra. Informacion de lãs partes del Brasil. La informació que de aquestas partes del Brasil os puedo dar, padres y hermanos caríssimos, es que tiene esta tierra mil léguas de costa toda poblada de géte, que anda desnuda assi mugeres, como hombres, tirando algunas partes muy lexos donde estoy, adonde las mugeres andan vestidas al traje de Gitanas com paños de algodon, por la terra ser mas fria que esta, la qual es muy templada... 
 
 In Primeiras cartas do Brasil [1551-1555] Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2006.
 
AMSK/Brasil

Ciganos : A oralidade como defesa de uma minoria étnica III







"Quem garante que a India não tivesse sido apenas uma etapa duradoura na trajetória do povo
rom?O reconhecimento de alguns estudiosos de uma origem hindu para o nosso povo, ainda deixa dúvidas para se ter esta como uma tese verdadeira."

(Yargo Reis, antropólogo, cigano
sedentário do subgrupo ragari)



CRISTINA DA COSTA PEREIRA

Ciganos : A oralidade como defesa de uma minoria étnica II



"Sou cigana,
venho de um povo marcado.
De onde viemos
e para onde iremos,
nada disso nos importa.
O que importa
é o muito que vivemos"

(Esmeralda Liechocki, cartomante, 
cigana semi-nômade do grupo calon)


                                                      CRISTINA DA COSTA PEREIRA